Influenciadores e propriedade intelectual: Como evitar problemas ao usar marcas de terceiros?

Peduti • August 5, 2026

Por Peduti Advogados, escritório especializado na área de propriedade intelectual e direito digital em São Paulo.


Com o crescimento exponencial do marketing de influência, influenciadores digitais se tornaram peças-chave na comunicação de marcas. No entanto, a exposição de produtos, logotipos, músicas ou imagens sem autorização pode gerar implicações jurídicas sérias. Afinal, influenciadores e propriedade intelectual são temas cada vez mais entrelaçados.


Neste artigo, vamos explicar como o uso indevido de marcas pode afetar a reputação e até gerar processos judiciais, além de apresentar estratégias práticas para evitar esses riscos.
Continue lendo e entenda como atuar com segurança no ambiente digital.


O que está em jogo: O uso de marcas, direitos autorais e identidade visual nas redes


Com a profissionalização do marketing de influência,
compreender os limites legais se tornou essencial para quem atua na internet. A relação entre influenciadores e propriedade intelectual envolve riscos que muitas vezes passam despercebidos, mas que podem ter consequências reais, inclusive jurídicas. A seguir, explicamos os principais pontos de atenção sobre o uso de marcas, obras protegidas e identidade visual de terceiros.


Marcas registradas: uso controlado por lei


A
Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96) assegura ao titular da marca registrada direitos sobre seu uso, especialmente para proteger sua função distintiva, sua reputação e evitar confusão no mercado. No entanto, nem toda menção a uma marca por terceiros configura infração.


A própria legislação prevê situações em que o titular da marca não pode impedir determinados usos, como a citação da marca em publicações, desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. Também há hipóteses específicas relacionadas à atuação de comerciantes, distribuidores e fabricantes de acessórios, desde que observadas as práticas leais de concorrência.

Por isso, o ponto de atenção não está apenas na simples menção à marca, mas no contexto em que ela aparece. O risco jurídico aumenta quando há exploração comercial indevida, sugestão de parceria inexistente, confusão para o consumidor, uso que afete o caráter distintivo da marca ou aproveitamento da reputação alheia.


Obras protegidas por direitos autorais


A reprodução de conteúdos como
músicas, vídeos, imagens e trechos de filmes é regulada pela Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98). Influenciadores que utilizam esse tipo de material em suas produções, mesmo como trilha sonora ou ambientação visual, devem estar atentos às exigências de licenciamento. Plataformas digitais, como YouTube e Instagram, utilizam sistemas automáticos de detecção de conteúdo protegido, o que pode gerar bloqueios, notificações e penalidades em casos de uso indevido.


Identidade visual e elementos protegidos


Logotipos,
embalagens, slogans e outros elementos visuais fazem parte do patrimônio de uma marca. Quando utilizados em publicações de forma promocional, descontextualizada ou capaz de gerar falsa impressão de vínculo comercial, esses elementos podem trazer riscos jurídicos. Dependendo do caso, a conduta pode ser interpretada como concorrência desleal, associação indevida ou aproveitamento da reputação da marca. 


Por que influenciadores devem estar atentos à propriedade intelectual?


A exposição frequente a produtos, marcas e conteúdos protegidos exige do criador de conteúdo uma
postura responsável e juridicamente consciente. A seguir, listamos os principais motivos:


Responsabilidade jurídica direta e solidária


Influenciadores podem ser legalmente responsabilizados pelo uso indevido de ativos protegidos,
mesmo que a infração tenha ocorrido sem má-fé. Em campanhas monetizadas ou conteúdos patrocinados, essa responsabilidade tende a ser ainda mais rigorosa. O criador pode responder solidariamente com a marca envolvida ou com a plataforma onde o conteúdo foi publicado.


Risco à imagem e perda de oportunidades


Usar indevidamente uma marca pode gerar penalizações na plataforma (como desmonetização ou restrição de alcance), e
comprometer a reputação do influenciador. Marcas sérias evitam parcerias com criadores que não respeitam normas legais, o que pode afetar a credibilidade e afastar novos contratos.


Sanções legais e financeiras


As consequências legais da violação de direitos de propriedade intelectual incluem:


  • Obrigação de retirar o conteúdo do ar;
  • Bloqueio de contas em plataformas;
  • Indenizações por danos materiais e morais;
  • Multas contratuais ou judiciais em caso de reincidência ou má-fé.


Cenários comuns de risco na rotina de um influenciador


Algumas situações do dia a dia digital podem parecer inofensivas, mas envolvem riscos jurídicos quando analisadas sob o ponto de vista da propriedade intelectual. Veja exemplos típicos:


  • Exibição de marcas sem vínculo comercial

É comum que influenciadores publiquem fotos ou vídeos com produtos de marcas conhecidas sem qualquer acordo com a empresa. A simples aparição ou citação de uma marca, por si só, não necessariamente configura infração, especialmente quando não há conotação comercial e não existe prejuízo ao caráter distintivo da marca.


O risco aumenta quando essa exposição assume caráter promocional, envolve incentivo à compra, links, cupons, monetização, uso destacado da marca ou qualquer elemento que possa sugerir parceria, patrocínio ou associação comercial inexistente.


  • Uso de músicas protegidas por direito autoral

Inserir trechos de músicas comerciais em vídeos, mesmo que curtos, pode resultar em violações. Plataformas como o YouTube e o Instagram aplicam punições automáticas em casos de uso não licenciado, o que inclui desmonetização e até bloqueio do conteúdo.


  • Reviews, comparações e unboxings

Ao avaliar ou comparar produtos de diferentes marcas, o influenciador deve agir com cautela. A citação de nomes de marcas pode ser legítima em conteúdos informativos, críticos ou comparativos, desde que feita de forma leal, objetiva e sem gerar confusão no público.


O cuidado deve ser maior quando há uso de logotipos, embalagens e outros elementos visuais em contexto comercial, tom pejorativo, informações imprecisas, favorecimento explícito de concorrente ou tentativa de associação indevida com a marca citada.


Influenciadores e propriedade intelectual: Condutas essenciais para atuar com segurança


A atuação de influenciadores digitais no ambiente online exige
atenção constante ao uso de marcas, conteúdos e obras protegidas. A seguir, reunimos práticas fundamentais para evitar problemas jurídicos e garantir conformidade com a legislação vigente sobre propriedade intelectual.


1. Avalie quando é necessário solicitar autorização para utilizar marcas registradas

Ao mencionar ou exibir produtos identificáveis, é importante avaliar o contexto do uso. Em conteúdos meramente informativos, editoriais, críticos ou comparativos, a citação da marca pode ser admitida, desde que sem conotação comercial indevida, sem prejuízo ao seu caráter distintivo e sem confundir o público sobre a existência de parceria.

Quando se trata de ações comerciais, como publieditoriais, promoções, conteúdos patrocinados, uso de logotipos em peças de campanha ou associação direta entre o influenciador e a marca, o ideal é obter autorização expressa e documentada, com cláusulas que deixem claro o escopo da permissão concedida.


2. Utilize apenas conteúdos com licenciamento adequado


Para evitar riscos de
violação de direitos autorais, dê preferência a bancos de imagens, trilhas sonoras e vídeos que ofereçam licença de uso. Plataformas como Artlist, Epidemic Sound, Unsplash e sites de conteúdo Creative Commons são boas alternativas, desde que a licença seja verificada e compatível com o uso pretendido.


3. Esclareça a inexistência de vínculo com a marca


Ao produzir conteúdos com fins editoriais (como resenhas, tutoriais ou comparações) é recomendável
deixar claro que não há qualquer relação contratual com a marca citada. Essa transparência reduz o risco de interpretação equivocada por parte do público e de alegações de uso indevido por parte do titular da marca.


4. Verifique os contratos com agências e patrocinadores


Muitas campanhas incluem o uso de marcas de terceiros. Nesses casos, certifique-se de que a agência ou o anunciante tem
autorização formal para utilizar esses elementos. Também é prudente incluir cláusulas de responsabilidade que resguardem o influenciador em caso de eventuais disputas envolvendo propriedade intelectual.


Existe fair use para influenciadores no Brasil?


Ao contrário da legislação norte-americana, onde o fair use é uma exceção prevista no Copyright Act, no Brasil o conceito é mais restrito e encontra respaldo apenas nas limitações previstas pela Lei de Direitos Autorais, Lei nº 9.610/98.


Essas exceções abrangem usos com finalidades educativas, científicas, críticas ou jornalísticas, não abrangendo, em regra, atividades comerciais ou promocionais. Dessa forma,
influenciadores não devem invocar o fair use como argumento genérico para utilizar conteúdos protegidos, especialmente obras autorais como músicas, vídeos, imagens e trechos de filmes.


No caso específico de marcas, a análise passa também pela Lei da Propriedade Industrial. O art. 132 da LPI prevê hipóteses em que o titular da marca não pode impedir determinados usos, como a citação da marca em publicações, desde que sem conotação comercial e sem prejuízo ao seu caráter distintivo. Ainda assim, cada situação deve ser avaliada conforme o contexto, a finalidade do conteúdo e o risco de associação indevida ou confusão para o público.


Consultoria jurídica: Um diferencial estratégico para influenciadores


Contar com o suporte de advogados especializados em propriedade intelectual e contratos digitais é essencial para quem atua de forma profissional nas redes. O acompanhamento jurídico permite:


  • Analisar riscos antes da publicação de conteúdos;
  • Redigir e revisar contratos com segurança técnica e jurídica;
  • Prevenir litígios relacionados ao uso de marcas, imagens, músicas ou vídeos;
  • Proteger o posicionamento e a reputação do influenciador no mercado.


Além disso, o respaldo legal fortalece a
imagem de profissionalismo e demonstra responsabilidade, atributos valorizados por agências, plataformas e marcas que buscam parcerias de longo prazo.


Agir com atenção às regras de propriedade intelectual é mais do que uma obrigação legal: é uma demonstração de
respeito, ética e maturidade profissional no ambiente digital.


Perguntas frequentes



  • Influenciador pode usar marcas registradas sem pedir permissão?

    Depende do contexto. A simples citação de uma marca em conteúdo informativo, crítico, editorial ou comparativo pode ser admitida, desde que não tenha conotação comercial indevida, não prejudique o caráter distintivo da marca e não gere confusão sobre eventual parceria.


    Por outro lado, quando há conteúdo patrocinado, promoção, uso destacado de logotipos, links de venda, cupons, monetização direta ou associação comercial com a marca, a autorização prévia é recomendável e, em muitos casos, necessária.


  • É permitido usar músicas famosas em vídeos de redes sociais?

    Depende. A Lei de Direitos Autorais proíbe o uso de músicas protegidas sem licença. Mesmo pequenos trechos podem ser bloqueados ou gerar penalidades em plataformas como YouTube e Instagram. O ideal é utilizar trilhas sonoras licenciadas ou com liberação específica para uso comercial.


  • Influenciadores podem fazer comparações entre marcas concorrentes?

    Sim, desde que a comparação seja objetiva, leal e baseada em informações verdadeiras. A citação de marcas pode ocorrer em conteúdos comparativos, mas não deve gerar confusão, difamação, concorrência desleal ou associação indevida com os titulares das marcas citadas.


    Também é importante evitar o uso excessivo ou descontextualizado de elementos visuais protegidos, como logotipos, embalagens


  • É possível usar imagens da internet sem pagar direitos autorais?

    Nem todas. Imagens encontradas online geralmente são protegidas por direitos autorais. Para usá-las legalmente, é preciso verificar se estão sob licenças de uso livre (como Creative Commons) e respeitar as condições indicadas. Plataformas como Unsplash e Pexels são boas fontes de conteúdo gratuito e autorizado.


  • O que acontece se um influenciador violar propriedade intelectual?

    A infração pode gerar desde notificações e remoção de conteúdo até bloqueio de contas, processos judiciais e exigência de indenização por parte do titular da marca ou obra. Além dos impactos legais, o influenciador pode sofrer danos à reputação e perda de oportunidades comerciais.


  • Um influenciador pode alegar fair use no Brasil?

    Não exatamente. O Brasil não adota o conceito de fair use como nos Estados Unidos. Aqui, há exceções específicas previstas na Lei de Direitos Autorais, mas que não abrangem usos comerciais. Influenciadores não devem contar com essa justificativa sem orientação jurídica.


  • Preciso mencionar que não tenho parceria com a marca citada?

    Sim, essa é uma boa prática. Ao comentar, avaliar ou comparar produtos de terceiros sem vínculo comercial, é recomendável esclarecer que o conteúdo é independente e que não há parceria, patrocínio ou relação contratual com a marca citada.


    Essa transparência ajuda a evitar interpretações equivocadas pelo público e reduz o risco de alegações de associação indevida.


  • Qual é o risco de usar conteúdo de terceiros em vídeos monetizados?

    Alto. Quando há monetização, qualquer uso de imagem, áudio, marca ou obra protegida sem licença pode ser considerado exploração comercial indevida. Isso aumenta a responsabilidade legal do influenciador e pode resultar em sanções mais severas.


  • Posso usar trechos de filmes ou séries em vídeos de opinião?

    Em regra, não, a menos que se enquadrem nas exceções legais e o uso seja pontual, com fins críticos ou jornalísticos. Mesmo nesses casos, o risco jurídico permanece, e o ideal é consultar um advogado para avaliar se o uso específico é justificável e proporcional.


  • Se eu usar uma marca apenas como cenário ou plano de fundo, ainda posso ter problemas legais?

    Depende. A aparição incidental de uma marca, sem destaque, sem conotação comercial e sem prejuízo ao seu caráter distintivo, tende a gerar menos risco. No entanto, se a marca aparecer de forma destacada, recorrente ou associada à promoção de produto, serviço, cupom, link de venda ou conteúdo monetizado, pode haver questionamentos.


    Em ambientes controlados, especialmente em campanhas comerciais, é recomendável ocultar, desfocar ou substituir marcas que não estejam autorizadas, salvo quando houver justificativa legítima para a citação ou exibição.


  • Posso ser responsabilizado se repostar um conteúdo que já usava marcas ou músicas protegidas?

    Sim. Compartilhar conteúdo de terceiros com elementos protegidos pode gerar responsabilidade solidária, especialmente se houver monetização ou ganho de visibilidade. Sempre verifique se o conteúdo original tem autorização ou licença adequada antes de republicar.


  • Influenciadores podem proteger suas próprias expressões e bordões?

    Sim. Frases de efeito, nomes artísticos e bordões que tenham caráter distintivo podem ser registrados como marcas. Isso confere exclusividade de uso e permite ao influenciador impedir terceiros de explorarem comercialmente sua identidade de forma indevida.


  • O que é violação de propriedade intelectual no Instagram?

    É o uso não autorizado de conteúdos protegidos por direitos autorais ou marcas registradas, como músicas, logotipos, imagens e vídeos, que pode levar à remoção do conteúdo, sanções da plataforma ou ações judiciais por parte dos titulares.


  • Que tipo de responsabilidade os influenciadores digitais devem ter ao produzirem uma postagem?

    Influenciadores devem garantir que todo conteúdo usado seja autorizado, verídico e adequado, respeitando direitos de terceiros e normas legais para evitar infrações civis, éticas e contratuais.


  • Qual a responsabilidade dos influenciadores?

    Eles podem ser responsabilizados legalmente por danos causados a terceiros, especialmente quando usam marcas ou conteúdos protegidos sem autorização, promovem desinformação ou descumprem acordos com anunciantes.


  • Qual é a responsabilidade civil dos influenciadores digitais?

    A responsabilidade civil abrange danos materiais e morais que suas postagens possam causar, como uso indevido de imagem, violação de propriedade intelectual ou prejuízos comerciais a empresas e indivíduos.


  • Quais as responsabilidades éticas dos influenciadores digitais?

    Devem prezar pela transparência com o público, indicar parcerias pagas, evitar conteúdo enganoso e respeitar normas sociais e profissionais, contribuindo para um ambiente digital mais confiável.

  • Qual é a responsabilidade social dos influenciadores digitais?

    Influenciadores têm papel relevante na formação de opinião e devem usar sua visibilidade com consciência, promovendo informações corretas, inclusão, respeito e valores que impactam positivamente seus seguidores.


  • Existe diferença legal entre influenciador e criador de conteúdo quando se trata de propriedade intelectual?

    Não no aspecto jurídico. A legislação se aplica a qualquer pessoa que utilize, explore ou compartilhe obras protegidas ou marcas registradas, independentemente do título profissional. O que importa é a finalidade e a forma de uso do conteúdo.


  • Posso responsabilizar uma agência se ela me orientar a usar algo ilegal?

    Sim. Se a agência recomendar o uso de material protegido sem autorização e isso causar prejuízo, é possível buscar reparação por meio de cláusulas contratuais ou ações judiciais. No entanto, o influenciador também pode ser corresponsável, por isso o ideal é sempre revisar com apoio jurídico.


  • O que devo incluir no briefing de uma campanha para evitar problemas com propriedade intelectual?

    O briefing deve esclarecer quais elementos protegidos serão usados, se há autorização formal das marcas envolvidas, quais mídias serão utilizadas e por quanto tempo. Também é importante especificar a responsabilidade de cada parte em caso de infrações.


  • Influenciadores precisam de assessoria jurídica?

    Sim. A atuação profissional nas redes exige conhecimento técnico sobre propriedade intelectual, contratos e responsabilidade civil. A assessoria jurídica ajuda a prevenir litígios, proteger a imagem e estruturar parcerias com mais segurança, fortalecendo a carreira no longo prazo.



Propriedade intelectual e direito digital | Peduti Advogados


A relação entre influenciadores e propriedade intelectual exige atenção e responsabilidade. Usar marcas de terceiros sem os devidos cuidados pode gerar consequências legais e prejudicar seriamente a carreira digital. No cenário atual, onde a visibilidade de cada publicação é alta,
agir com diligência é essencial para evitar conflitos e proteger sua imagem.


Você tem certeza de que está usando marcas e conteúdos de forma segura nas suas redes? Compartilhe como você tem sido sua relação com marcas de terceiros nos comentários e ajude outros criadores a também atuarem com responsabilidade.


Nesse cenário, a
Peduti Advogados está pronta para te auxiliar! Somos um escritório especializado na área de propriedade intelectual e direito digital. Com anos de tradição nestas áreas, nossa atuação resulta dos padrões de excelência. O escritório oferece assessoria full-service em propriedade intelectual e direito digital, para todos os segmentos de mercado.


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